terça-feira, 29 de setembro de 2009

Virtual, Real, Final.

A virtualidade me cansou. A rede foi, de fato, o lugar onde minha opinião mais foi valorizada. Mal precisei buscar leitores, esse blog foi como gritar em direção ao nada, e ouvir respostas, e sou grato pelos comentários e visitas.

A razão pela qual o blog surgiu? Num dia de ressaca, eu decidi que minhas ideias eram muito boas para não serem apresentadas (pouca presunção, a minha). Um amigo, o Carlos, sugeriu o blog, e eu já tinha o endereço Ressaca Filosófica registrado no blogspot, então convidei-o para postar.

Vieram Saulo e Diogo. Fizemos disso aqui um depósito de randomicidades. O Sput apareceu, fez o código html do layout que eu havia desenhado, e ficou pra postar uma ou outra coisinha. Não foi um blog sobre filosofia, nem sobre bebidas. Foi um blog sobre a gente. Com o tempo, não era mais lazer, e sim uma obrigação, postar. à partir daí, comecei a me cansar.

Chutei o Carlinhos do blog sem avisá-lo, e peço desculpas, embora saiba que ele não deve ter ficado tão chateado assim, já que ele mal postava. O Pulenta deixou o blog por ideologias conflitantes, talvez; pela mesma razão eu abandonei um ambiente na fração real de minha vida. Há alguns dias comentei com o Saulo, que não há mais o que fazer com essa bodega. Há outras prioridades, ou, ao menos, as prioridades que sempre existiram, hoje tomam o tempo vago que usávamos para postar.

Foi um exercício de redação, de pensamento crítico e pesquisa; não obstante, é só um site. E por isso eu preciso avançar. Assim como os calçados param de nos servir, essa de publicar ideias virtualmente deixou, há algum tempo, de ser uma motivação. Começo a me lembrar dos passatempos que abandonei desde que comecei a blogar, como a leitura e o desenho.

Virtual, como foi, serviu para me mostrar o quanto sou pequeno, e quanto potencial tenho para crescer, mas dessa vez o farei na realidade. Vou apurar minha sensibilidade musical, e talvez nem todos os leitores saibam que eu toco contrabaixo, violão, guitarra e tento tocar gaita. Vou voltar a desenhar, e talvez nem todos os leitores saibam que eu já desenhei retratos para presentear amigos nos aniversários. Vou fotografar mais, e desenvolver minha paciência e contemplação pelo que está sob meus olhos. E vou continuar escrevendo, sejam redações de vestibular, sejam trabalhos acadêmicos - é algo que pretendo vivenciar logo, e desejo obter êxito, como obtive no blog.

É isso: preciso de mais realidade do que essa tela e esse teclado, e para tanto, decreto o fim do blog da Ressaca Filosófica. Abandono o navio não como um amotinado, mas como um homem que escolhe a terra-firme ao invés do mar. Talvez um dia eu volte a escrever aqui, não será logo, pois.

Meus sinceros agradecimentos à todos os leitores dessa droga, habituais e recreacionais.
Flwabrass

Uhull, nunca vi blog tão encerrado!

And Now, The End is Near

O fim é o caminho inevitável para tudo o que existe na face da terra. O pós-fim vai ser uma eterna discussão de partes que possuem as mais variadas crenças. Eu, particularmente, não acredito em um lugar onde todos vamos após nossa morte. Alguns acreditam que reencarnamos, outros acreditam que nossa fração imaterial fica vagando e observando os viventes, outros acreditam num lugar atemporal e outros acreditam em ressurreição.

Assim como as pessoas, sonhos, projetos, desejos também tem um fim. Alguns por motivos sérios, outros por coisas banais, mas tudo um dia se finda. E nessas extensas (sim, vou escrever um post extenso pela primeira vez) linhas o Ressaca Filosófica vai nos deixando, rumo à incerteza.

Depois de 1 ano e 9 meses acaba o projeto mais legal, insano, desgastante e gratificante que eu já realizei nessa minha curta existência. Em 227 postagens eu expressei minhas opiniões, consegui furos de reportagem antes de qualquer agência de notícias da cidade, indiquei leituras, contei alguns trechos da minha vida que tem trilha sonora, mostrei insanidades...

Porém, de uns tempos pra cá, as obrigações acadêmicas e da vida pessoal começaram a tomar formas que eu nunca imaginara que iam tomar e o prazer que eu sentia em publicar algumas linhas nesse boteco foram se tornando obrigações que eu já realizava sem muita vontade. A qualidade do material publicado foi se tornando mais rasa, as piadas perderam a graça, já não tinha mais tempo para procurar as inutilidades como antes, enfim, tornou-se enfadonho.

Esse caminho não deveria ter sido tomado. O afã em escrever algo para as pessoas se divertirem era grande e parecia ser uma fonte inesgotável, mas o racha no elenco aconteceu. A preguiça tomou conta de um, divergências ideológicas sacaram outro e Eu e Guilherme resistimos bravamente mantendo o Ressaca.

Criamos algumas colunas para ter uma certa regularidade nas postagens, mas mantivemos o nosso trabalho em postar coisas aleatórias. Tempos depois as colunas se tornaram as únicas coisas que postávamos. Quando eu vi, nem as colunas eu escrevia mais, tamanha a carga de obrigações a realizar.

“The ringing of the division bell had begun” canta David Gilmour na última música do último álbum do Pink Floyd, High Hopes do Division Bell. O sino toca. É hora de partir. O último trem parte rumo ao desconhecido, o último barco dos elfos deixa a Terra Média. O Ressaca Filosófica termina. Dele só levo experiências ótimas, como quando o Duquian do Sedentário & Hiperativo veio bater boca com o Guilherme e eu entrei na peleja, o dia que eu descobri o quão importante é estar no lugar certo e na hora certa e cobri um assalto a mão armada num banco, as eternas discussões com pessoas que não sabem ler e interpretam totalmente errado suas falas. Este boteco de Quinta Categoria fecha as portas sem direito a venda e abertura com uma faixa reluzente “sob nova direção”.

Me dispeço. Agradeço a fidelidade de alguns leitores, a apreço de outros. Infelizmente nunca peguei ninguém dizendo que escrevia o Ressaca, mas mesmo assim foi muito prazeroso.
Não posso sair daqui sem colocar uma música para vocês, já que foi uma das coisas que mais fiz por aqui. Fiquem então com High Hopes e se você tem um mínimo de sentimento no coração, vai ficar emocionado, assim como eu estou agora. Um selinho. :*

 
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